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Poema de: “Clarice Lispector”
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Vê o vermelho rubro em cada verso que escrevo manchando uma folha em branco, do vermelho intenso que me escorre pelos dedos. Vermelho rubro...do corte feito em meus sentimentos, derramado no manuscrito que deixo, letra por letra escorridas dos meus pensamentos. Manuscrito de sangue em cada verso que escrevo, vermelho rubro... que me escorre pelos dedos. Deixarei lindas rosas rubras... de petaladas sobre o manuscrito, tão vermelhas e vivas, quanto o amor que sinto.
“Leni Martins”
.Quando passeio á noite pela cidade recolhida em íntimo silencio,
olho admirado as ruas e as árvores
e interrogo enigmático sobre os olhos cerrados dos homens citadinos
o serem eles o sentido disto tudo.
E penso nas formosas flores públicas plantadas para todos,
penso na janela clara aberta sobre o mar,
nas avenidas livres fechando junto ao céu....
Então maciamente vou,
espantado de estar na vida a ser um homem
e a cumprir o tempo de ser grande,
descerrar as pálpebras descidas dos humanos irmãos emparedadas
e mostrar-lhes porque existem avenidas,
de onde vêm as casas e as fábricas
e porquê quando rente á madrugada
um pássaro cantando entre o cimento e as flores
na tenra primavera da cidade
pode encher de frescura e de sentido e vida.
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